quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

L

- Meu braço dormiu...
- Então, tira.


- Gosto de você.
- Eu não.
-...
- Gosto de estar com você. Mas de você, não.
-...
- Por que essa cara? Você sabe disso.
- ?
- Gosto dos seus pais, da sua casa, da sua rua, da sua voz, de você não. Você é estranho. Nunca percebeu que quando me olha nos olhos eu desvio?
- Não...
- Hm...
-
-

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

O Drama

daquele que se apega facilmente.

O que será de mim quando ela se for? 
Vou chorar por dias. Vou fazer drama até alguém perguntar o porquê dessa cara, e eu respondo 

que não é nada, umas coisas aí. Assim vai, eu faço todo mundo perguntar e nunca digo o que é. 

Aliás, isso é o que as mulheres fazem. E reclamam da quantidade de perguntas que você faz, 

mas se você não perguntar, piora.

Eu lembro da primeira vez que a vi, uns dez minutos atrás, quando cheguei na estação e sentei 

aqui. Ela mexeu no cabelo olhando no espelho e pegou um livro (que talvez seja Idade da Razão, 

mas não tenho certeza, ela estava uns dois bancos pra lá).
E, depois de cruzar as pernas, balançou o pé, dum jeito que eu gosto. Nos cinco minutos 

seguintes, só pensava em como falar com ela.

Agora o trem vem vindo, acho que não posso mais.
Ia ser bobo não falar aqui, mas falar depois de entrar no trem.
O que será de mim?

domingo, 25 de janeiro de 2009

aquiloquenaosaidemimnaosai - breve ensaio sobre a situação familiar na Serra Gaûcha.

O apito vinha na mesma onda que a gritaria dela... Que Linda vendedoira de sardinhas que era a irmã. O apito parou; o grito não. Saí, sentei, dei um tempo. [Ai, se tivesse pulmães!] ---. It is a long way, broza. O grande lance é que nada disso que você tá pensando nesse momento vale a pena.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

gaza

O filho da vizinha berra, ele berra há horas e então pára. Me sinto mais sozinho, eu e meus sete pianos de cauda. Olho para o alto e só tem fumaça pra se ver, tudo tão lindo antes.

Eu penso em você, Laila. Menos em você que nas suas saias saindo das coxas bambas de tanto baile, mas ainda é você.

tudo é longe e estúpido agora. Você sabe...coisas da vida. Não dá pra desviar a cabeça da fumaça nem pra mexer as coisas presas debaixo da minha cintura. Nem meu braço esquerdo eu consigo mexer. Espero.

...


A fumaça já vai sumindo e eu me sinto no fim. Pego no bolso da camisa o meu último cigarro, boto na boca acendo a fumaça sobe e tudo some e aí acaba tudo, Laila, a vizinha, o cachorro que eu nunca comprei pro meu filho quando podia pensar em ter um filho.

Morri num bombardeio pra nascer de novo num quarto de hotel.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Tópicos

A luz do trem, quando vem, pela ponte, dá no meu quarto.
Pelo vidro da janela e bate no armário.
Como ele é branco, ilumina tudo.
Dá pra ver tudo o que tenho preguiça de mudar por aqui.

O som dos carros da marginal, me faz sentir, às vezes,
que estou perto do mar.
Parece.

Quando chove, um quase imperceptível, cheiro ruim, vem do rio Tietê.
Mas eu só sinto quando procuro.

Se eu me deitar de bruços, fico incomodado, se me deitar de barriga pra cima,
tenho pesadelos: então me restam duas opções: me virar pra esquerda, quando me distraio vendo o móvel do computador, comparando-o com um rosto, ou pra direita, quando me distraio com as pequenas, minúsculas, bolinhas da tinta da parede.

A pior parte de escovar os dentes é perder o último gosto do suco de goiaba.

Era só falar: ...
Nem imaginando consigo saber o que falar. Imagina lá. Meio bêbado ainda.
Porque bêbado fico "ainda mais". "Ainda mais" em tudo.
Se não podia falar; bêbado, não podia ainda mais.